7.2.09

B.O

* texto baseado em fatos reais.
Sempre que se sai entre amigos muitas coisas inesquecíveis acontecem.
Quase sempre não se sabe ao certo o que aconteceu, mas com uma conversa daqui, um vídeo dali a noitada é reconstituída. E quando a coisa ferve mesmo a gente se finge de morto e vai pra casinha.
Mas existem alguns fatos que são marcantes e merecem ser contados de geração pra geração, no dia de casa cheia, tipo Natal, Ano-Novo, que já pega a família toda: pai, mãe papagaio, sobrinho, tia e cunhado. Ninguém vai querer perder.

“Cara, fudeu”
Pra que fazer suspense? Nesse um segundo que eu usei pra ler a maldita frase, um milhão de coisas passaram pela minha cabeça. Ta grávida, colocou fogo na casa, o cachorro morreu, vão lançar o filme Eu sei o que Vocês Fizeram Segunda Passada e pior já tão pensando em dar continuidade no roteiro, sei lá, qualquer coisa já me apavorava. E isso apavorava muito a mim e algumas outras pessoas também. Enquanto isso, ela não tinha fim. Respirei fundo e mandei um, já óbvio, “o que aconteceu?”. E é esse o primeiro sinal de que essa sexta seria daquelas.

“Mano, eu fiz tudo certo só esqueci de puxar a cordinha.”
Ok. As pessoas costumam esquecer com freqüência e, não sei se você notou, nas instruções tem uma notinha de rodapé que explica como sair dessa furada.
Antes de tentar buscar qualquer ajuda o riso foi incontrolável e fato que levei uns petelecos. A pessoa ta desesperada. Pedi pra relaxar, literalmente, que alguma solução nós encontraríamos.
Quando a gente tem um probleminha é sempre bom ficar perto de alguém que tem um problema maior. A gente se sente melhor. Funciona.
Buscas em vão e o ponto final seria um médico pra tirar aquilo de lá de dentro. “Vamos?”
“Claro que não, to morrendo de vergonha da minha mãe, de mim mesma, da minha vida e você quer que eu faça isso no hospital? Não vou.”
E não foi.

Hora marcada, camisa rasgada, rolha estourada, é hora de cair na gandaia e a pergunta que não calava: saiu?
Nessa já tava todo mundo sabendo, homem é pior que mulher e não foi preciso esconder, ta na chuva é pra se molhar e ali tava tudo é bem encharcado.
Ri, brinca, bebe, pega, ajeita, todo mundo pronto?
“Não, praga de mãe é foda, vamos comigo tirar esse negócio agora de dentro de mim.”

Confesso que ela tava nervosa sim, até cantarolava algumas frases pro meninão e eu lá, trocando meu copo cheio de coca gelada pra ir ao hospital. Amigo né. Vambora.
Eu já tive algumas experiências inenarráveis, já foram diversas situações bizarras, mas essa foi impagável. Umas dez da noite, ainda tudo calmo antes daqueles saltos ensurdecedores e aquelas blusas pretas amarradas passarem porta adentro.
“Qual é o seu problema moça?”
“Então, eu esqueci de puxar a cordinha.”
A cena foi tão linda que nem a atendente (lê-se chefe do noturno) foi capaz de segurar o riso.
“Calma, respira, o doutor vai te ajudar.”
Fato que não era nem um pouco comum na vida daquelas pessoas que isso estivesse realmente acontecendo.
Senta e espera. E como se nada mais fosse capaz de dar errado duas moçoilas conhecidas também esperavam pra serem atendidas. Agora sim, amanhã a cidade inteira vai saber do meu deslize. Deslize? Na boa, a última coisa que ele quer é deslizar gata, fica tranqüila.

E vem a enfermeira com a mesma pergunta. A moça já sem condições de repetir que esqueceu de puxar a porra da cordinha eu já mandei logo um resumão da história: “tem um ob entalado dentro dela moça, alguém ajuda, por favor!”. E mais uma vez a enfermeira pediu desculpas e caiu na gargalhada. Era outra enfermeira e tudo fazia sentido. Segundo ela, no dia anterior elas tinham passado horas conversando sobre isso. E justo no dia seguinte você me aparece aqui pra ilustrar o papo. Fizemos o dia delas mais feliz. E vamos já já fazer o seu.

Nessa hora o nervosismo tomou conta e até em sala errada ela foi parar.
Segue abaixo as frases que jamais sairão das nossas vidas:
“Deita aqui o doutor já ta vindo. Só pra saber, é a primeira vez que você usa?” – a resposta deveria ter sido sim, seria melhor.
“Com licença” – bonitinho e educado o moço.
“O senhor quer uma lanterna?” – tava escuro ein, já tinha um holofote praticamente dentro dela. E o pior é que ele aceitou!
“Não consegui, vou precisar fazer o toque” – que não é o transtorno obsessivo compulsivo.
“Faz o que o senhor quiser doutor, mas tira esse negócio daí de dentro.”
“ããããããããaaaaaaaaaaaaaahhhh” – alívio.
“Quer guardar de lembrança?”
“Pelo amor de Deus, joga isso fora que eu to querendo é voltar pra minha vida normal”.

Respiramos todos aliviados. Caras, bocas e sons produzidos pela paciente eu prefiro esquecer e não tentar mencionar. Seria deselegante demais para sua imagem. Foi como ver um filho nascer, saindo pelo mesmo lugar da onde entrou. Ou melhor, de onde ele jamais deveria ter sido colocado sem as devidas precauções.
Mas se não fosse assim não seria ela, não seríamos nós e não seria a ida mais divertida ao hospital.

2 comentários:

anaflaviasimoes disse...

hiauhaiuhaiuhauhaiuuai

Mari Segretto disse...

Manoooo.. ri MUITOOOOOOOOOOOOOOOOOo UAuhAuhAuHAuAHuaHUAHAUHaUhAUhauhAuhauhA