17.5.17

A minha lembrança insiste em revisar você. 
Passear pelos seus gostos. 
Fazer rir da sua risada. 

O café é amargo porque o doce da sua voz virou açúcar e eu não uso mais. 

6.12.16

Sabe o que eu queria?

Eu corro pra fugir dos clichês. 
Não te alcanço, mas esbarro num olhar aqui e outro, quem sabe, lá. 
Entre um pódio e outro, talvez. 
Talvez se você chegasse em outra hora. 
Ou eu que estou, de novo, atrasada?
Fiquei pra trás, mas me sinto como quem corre e não se cansa. Por isso insisto e gosto do jogo. 
Talvez tenha te inventado. 
Talvez um pouco mais no plural. 
Talvez um pouco mais de coragem. 
Talvez na hora H.
Quem sabe?

Esse lance da verdade me encanta. 
São poucos assim, tome nota e não mude. 
Ainda existem loucos espalhados querendo sim um sabor de sinceridade numa aventura que eu chamo de "e se". 

Eu e essa minha mania de traduzir entre vírgulas e suposições o que me faz querer ficar. Ou voar. Quem sabe um dia, pela contramão eu te alcance e a medalha seja minha e a comemoração nossa. 

Mas na verdade, sabe o que eu queria?
Te deixar sem palavras e calar toda essa vontade de uma vez por todas. 

25.5.16

Sobre o Nada - Parte 2

Do íntimo ao escuro.
Do proibido ao acontecer.
Cartão vermelho.

As pessoas não se revelam,
nós é que decidimos por enxergar pelo
outro lado do muro.
E isso é bom!
Aprendi.
Tempo de respostas.
(In)felizmente algumas tantas são você.

Assunto pra uma outra hora.

Eu optei por te levar para casa.
Você não quis.
Eu optei por ainda assim te levar para o altar.
Você negou.
Queimou a última opção;
eu desisti.

Não sei lidar.

Eu sei, preguiça outra vez.
Vou lembrar!
Anotado na alma.

Sentirei saudades.

Sobre o Nada - Parte I

Olha pra mim.
No fundo do meu olho.
Cheio de lágrimas.

Aonde eu errei?
O que foi que eu fiz de errado dessa vez?
Afinal, eu vivo errando, não é mesmo?
"Ultrapassando limites", não é assim que você diz?

"Você tira a minha paz."
E você a minha desde que resolveu chegar.
1x1

Mas que bom que era, Aurora.
Só não sei onde foi que trombamos
a bifurcação e viramos para lados opostos.
Às vezes acho que não dá mais.
Ou que, sinceramente, tá acabando.

Como eu sei?
Eu sinto.
E lá vai você dizer que eu sou louco.

Dou meia volta e encontro você tentando fazer com que tudo fique bem.

Acabou a preguiça.
Mas imagina não dizer?
Se dizendo já está difícil...

Logo eu que sinto três vezes mais.
E você sabe!
"céloco"

Quão longe você está?
Lembra daquele texto onde discurso sobre espelhos?
Não me espanta se disser que não;
já não vejo nada lá na frente.

"Uma pena você não ter ido"
"Com certeza!"
Sem desafios na hora do lazer.

Carrego no garrancho da caneta nova
o cuidado com as palavras.
Mas sabe o que me veio à mente?
Eu só machuquei por estar machucado.
Tipo instinto.

Deixemos no plural.
Sem culpados na terceira pessoa.

Engraçado assistir o (re)postar das suas fotos.
Ver o quanto ainda há de mim por aí, vagando feito
sombra em gravura branco e preto,
sem (você) saber o que fazer.

Decidiu gritar aos quatro cantos,
na tentativa da voz cobrir o choro,
mas "Dindi, se tu soubesse como machuca,
não amaria mais ninguém"