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I'm like a bird

Para ler ouvindo: Nelly Furtado - I'm like a bird (claro). "Entra" Com a mesma intensidade do "vai embora". Eu tive pouco tempo pra dizer o muito que precisava.  Todos os nossos jeitos opostos, a sua calmaria que atropelava tamanha intensidade.  E me fazia respirar.  E rapidamente o meu olhar te seguindo e o seu sorriso (me) fazendo girar. Ciúme de algo que nunca foi meu. Vontade de algo que quase foi meu. Foi. E o "meu" ficou. Ficou essa saudade da sua voz cansada depois de um dia e meio de trabalho me colocando pra dormir às 4 da manhã. "Eu posso acordar tarde. Estou no teu fuso". Essa saudade dos seus medos por ser longe, eu ter o mundo e você morar na mesmice. Ficou o desejo de saber que era além das 13'' do meu computador que o meu abraço alcançava. Mesmo sentindo o seu perfume no último olhar quando, delicadamente, pediu meu telefone. Quem não sabia de nada era eu e não qualquer outro inoce...

O Fim

Eu estava vestido Polo verde. Perfume exagerado. Andei um quarteirão e comprei um cigarro. Precisaríamos do maço todo aquela noite. Peguei o meu caminho sendo a pessoa mais feliz do mundo. Era a nossa noite depois de tantos desageiros.  Era a última vez que o meu sorriso faria um esboço. Eu subi, te abracei e não quero mais lembrar. Ecoam aos berros dentro da minha mente cada frase, soco e pontapé. "Vai embora" Foi a última vez em que ouvi a voz da sua mãe. Eu chorei como criança abandonada e com fome. Naquela noite acabou para nós 3.
Eu vou fugir, sumir, sair do lugar, me matar, me apagar, me limpar, tentar e (re)começar. Te deixar  e me lembrar. Lembrar como é sorrir, como é sentir, como é dormir sem me dopar. Arrumar a casa, o quarto, trocar as roupas, o perfume e as fotos. Mudar a melodia, o tom e a voz. Organizar uma exposição de mim e colocar tudo de volta para o lugar. Retratando aos berros a ardência da dor no peito do artista num quadro de tintas ainda molhadas. Que irão secar. E virar obras de arte. Ter calma, aliviar, aprender a respirar. Lento. Bem lento. Dando um passo. Dois talvez. A cada vez em que (re)conquistar o meu eu. Me apaixonar por quem o espelho reflete. Todos os dias. Ter fé e acreditar no brilho que os seus olhos insistem em refletir. Cessar a dor e viver de mãos dadas comigo. Até o fim.

Meia Noite

São meia noite e eu não deveria estar aqui. É inverno, mas faz calor.  Deveria acordar cinza e frio. Mas, não quero acordar e  tento dormir sem coberta. Hoje não é dia pra se cobrir, é dia de ficar acordado esperando todas as horas que o dia reserva.  E mais as extras que a gente cria pro dia ficar ainda mais especial.  Ou, sei lá, pra fazer você gostar dele.  E ver o brilho que ele (pode ter) tem. É seu! São meia noite no Brasil, 4 da manhã em Londres e exatamente meio dia no Japão.  E eu não deveria estar aqui. Mas ainda não acostumei com mudanças.  Eu não gosto de quando muda quadro, muda foto, muda cama e muda alguém. Ok, a gente precisa e cresce.  Mas se quem a gente ama não teve tempo de enxergar o nosso crescimento,  de que valeu crescer? Olha aí, são meia noite e três e eu pensando na vida   ao invés de estar onde eu deveria. Será que gritando me escutaria? Meia noite e sete.  Será que alguém fez (melhor) o que eu deveria es...