30.9.10

O que eu vivo


O que eu vivo eu já ouvi de muita gente.
Elas viveram, ou melhor, elas sonharam.

27.9.10

E se fosse você

E se fosse com você?
Pára pra pensar na cena, no escândalo que seria feito.
E era só um amigo, um ex que fosse.
Mas no maior papo?
Saudades, oras. Coisa boba. Já passou.
Mas imagina só como eu me senti. E não disse nada, ou melhor, estou dizendo agora, civilizadamente. E novamente eu pergunto, e se fosse com você?

Já posso ver a sua cara de fúria, me nocauteando com os olhos. Já sinto sua mão pesada calçando meu braço como quem troca uma sacola de lugar. Já decorei o teu discurso e você não muda.
Vai começar discreto pra ninguém perceber a movimentação estranha, por que nessa hora seria o beijo e não o final. Você vai perder o controle, me chamar de vagabunda, vai perder a cabeça dizendo coisas horríveis que não cabem a qualquer outra pessoa, nem à própria vagabunda, porque ela sabe que é. E nem ela faz questão de ser lembrada disso.
Tá doendo meu braço, você pode soltar?
Mas o que tá machucando mesmo é esse ciúme exagerado que toma conta de você. São esses termos baixos que você insiste em usar. É essa sua escrotice que aparece depois de dois ou três copos de wisky.
Agora é a hora do choro.
Você me olha nos olhos como se enxergasse o fundo da minha alma destruída no final. Me abraça, pede desculpas e eu não tenho reação. Eu amo você e sou completamente apaixonada pelos seus defeitos. Não quero entrar nas qualidades. Tá na cara e todo mundo vê.
Simulo um abraço. Aceito suas desculpas, como sempre. Quem é esse em você? Te domina em segundos e acaba com todo o eu do nós.
Pára com esse lance de perdão. Já perdoei tantas vezes.
Só esqueci de tentar esquecer.
Não quero conversar. Não, você não tá me forçando a nada.
Me dá um beijo?

21.9.10

você tem o tamanho perfeito para o encaixe do meu abraço.

o meu abraço cabe no seu tamanho.

seu tamanho.
nosso abraço.

20.9.10

E de novo, você

E de novo vem você. Depois de tudo o que foi dito, o caminho percorrido, as cenas dramáticas percorridas na mente de quem sente. Depois de todo o fracasso, a desilusão, a solidão. Depois de tudo, você. Quando a gente menos espera, você. Tava tudo bem, mas era exatamente desse seu abraço desesperado que eu senti saudades. Desse beijo demorado. Dessa sua aflição de acabar sozinho. Mais uma vez. Você.

Tinha algumas coisas para serem resolvidas. Uma cama mal arrumada. Algumas roupas no chão. A garrafa vazia revela o nível da noite passada. Esqueci de lembrar a cerveja que você perdeu. Ou melhor, eu perdi. Tinha muitas coisas para serem ditas, você até tentou e o seu estado alterado me encheu de graça. Sorri antes do beijo.

Voltei e o seu olhar me aguardava ansiosamente. Parei pra ver. Mergulhei e senti exatamente o que estávamos sentindo. Tudo parou e a trilha sonora ganhou os personagens. Subiram os créditos. Fim de cena. O capítulo é que ainda está sem final.

Eu tentei e não consegui. Você veio eu não resisti.

Era você, mais uma vez.

16.9.10

O vento

Sempre tem um homem que a noite caminha sozinho. De cabeça baixa fugindo dos faróis que vem na contra mão. Não quer saber do movimento. Não nota que na esquina por onde passa algumas mulheres testam seus truques na impura intenção de demonstrar habilidades. O vento refresca. Ele segue. Talvez o vento o conforte.

A lua se acomoda mais perto da terra. Cansou dos astros, quer saber dos pobres mortais. Mudou de cor. A forma é a mesma, está em estado de graça. Cheia. Como deve ser. O vento completa.

Pessoas que saem a meia noite, as três, elas saem. Sem destino? Perdidas? Em busca do que? Aquele carro, depois de tanto correr, parou desesperado. Passou por cima do orgulho e não sabe como voltar. Parou alguém pra ajudar. Não há resgate, só alguns sofrimentos leves. O vento soprou a dor.

As mulheres não souberam. O homem não fez questão.

As horas passam. No verão o vento tem brisa de saudade.

Nova estação.

Talvez todas essas histórias se encontrem num novo começo.

Amanheceu. É hora de dormir.

9.9.10

Quando a gente ouve...

"mesmo te vendo hoje, na minha frente, te senti a quilômetros de distância e me perdi no seu abraço vazio... estou me sentindo mal, entre a cruz e a espada, como se eu tivesse te traido sem ter culpa nenhuma... o pouco tempo que eu te conheço ja foi suficiente pra eu querer te levar pra sempre e me dói muito imaginar que voce pode não querer mais nem me ver..."

6.9.10

Um tormento

Não existe culpado. A culpa é do que tá aí fora pra ser provado. Testado. Analisado. Tá aí pra todo mundo ver. Só que você não provou. Você caiu de cabeça lá dentro e aqui de fora não dá nem pra ver sua mão erguida em sinal de ajuda. É um buraco sem fim.E eu não sei o que aconteceu pra tudo ter chegado a esse ponto. Quando veio de encontro a mim era puro, limpo. E quem se atirou no buraco fui eu. Queda livre. Muitos segundos. Essa sensação resume tudo o que eu poderia sentir. Mas passou. Escalei os únicos e últimos pilares firmes dessa velha construção e respirei. Daqui de cima dá pra ver o abismo em que eu estava.

Mas quando eu saí, sem notar trouxe um pé sujo de lama. São seus passos. Eles ainda me seguem. Ainda que eu desvie, eles ainda me seguem. Ainda que eu busque outros caminhos, parece ser você pintar as faixas das rodovias por onde eu passo, parece ser você trocar as luzes do farol, parece ser você. Aparece sempre você. Termina sempre em você. Eu não procurei e hoje é o que eu mais procuro. Tentei sim tirar de mim o incômodo que esse seu cheiro traz, mas ele é do tipo que aguça e cega. É do tipo que infesta o quarteirão e em minha defesa saio a te procurar e pedir de uma vez por todas pra que você se livre também. Foi em vão. Desisti no meio do caminho. Olhei pra trás e vi todas as respostas. Encontrei todas as outras portas abertas.Busquei em mim todas as maneiras de me livrar do peso que o seu abraço traz, mas eu confundi e deixei, mais uma vez, que eles me oferecessem o lugar mais seguro que um desesperado pode ter. Chorei. Pedi pra que nunca mais isso acontecesse. Não comigo. Sei lá, procura um ar que não seja o meu, mas, por favor, eu disse, não volta.

Teimoso, voltou.
Firme, resisti. Mil e uma vezes não. E
, de novo, passou. Livre, decidi não gastar tempo procurando, desejando ou qualquer outro ando que seja.

A frente e só a frente me interessava. A real é que você não cabe nos meus planos. Apesar de ter o tamanho exato. Você não faz parte daquilo que escolhi pra mim, mesmo estando dentro das minhas escolhas. E outra vez buscou o mínimo de espaço que eu deixei entre um dia e outro e encontrou a forma exata de passar por ele e me atingir em cheio novamente. Dessa vez foi por completo, trouxe todas as armas, todos os truques, e sabia disso; sabia também que o meu armamento para essa guerra estava escasso. Quando caí no chão tive a certeza: ainda havia lama nos meus sapatos.

E dessa vez, a última, você quebrou todas as barreiras e fez com que toda essa lama que te persegue, inundasse quem cerca a mim também. Os dias não têm mais fim. Plano sequência. Segue direto, acordado, do jeito que for. A cena se repete dia e noite num curto espaço de tempo. A volta do incômodo, mas justo agora? Justo. E agora. Sabendo da liberdade que nos prende, esqueci algo meu em você e você faz questão de me lembrar toda vez. E agora tem piorado a cada dia. Sinto raiva. Não sei o motivo. Nada me pertence. Nada tem valor. É só sentimento. Puro sentimento. Que foi atropelado e sem reação ignorei o mundo por segundos. Era de novo você. Um tormento. O meu tormento.

Agora não é simplesmente só você e sim um episódio de um dia inteiro. Bem no dia em que guardei pra mim algumas horas que mereciam ser lembradas. Rasguei o verbo. E agora lembro de todas elas. Seguro o choro por não conseguir me livrar. Não tenho decisões prévias para esse nosso caso. Vou deixar como está. Não aceito nada nem ninguém que possa chegar perto do que foi meu, do que se mostrou presente em todas as etapas. Eu sou assim.

Que toda carência seja perdoada.

Que todo medo seja liberto.

Que todo erro seja a chance de um novo começo.

Um pé a menos na lama.